Se não leu ainda a primeira parte deste projecto, poderá fazê-lo aqui.

Deixo aqui o meu agradecimento ao Miguel Gomes, sem o qual este projeto não teria avançado. Aprendi muito. Obrigado, Miguel!

Após muito procurar, não consegui encontrar uma solução que fosse, a meu ver, perfeita para a montagem de um suporte de antena. A maior parte dos utilizadores montou o suporte na porta traseira, seja no apoio do pneu sobresselente seja na própria porta, o que realmente me parece o sítio mais simples, seja porque é fácil passar o cabo, seja, porque a antena fica relativamente protegida atrás da porta (ainda que, para a antena do VHF fique um pouco baixo demais).

Após uma visita à RMS para ver os vários suportes que lá tinham decidi trazer o Midland SP-S, com a ideia de o prender na parte lateral da porta traseira. Pareceu-me um suporte de ar robusto e que não corre o risco de enferrujar.

Suporte comprado, juntamente com o carro e respetiva ficha/base para a antena, e passamos à fase de instalação. Após encostar o suporte no local desejado (preso à porta traseira, do lado direito, um pouco acima do nível do grupo de luzes traseiras) surge o primeiro problema: o ajuste permitido pelo suporte a nível de rotação não dá para colocar naquele local e manter a antena direita. Bonito serviço…começa bem este projeto!
Após tentar de todas as maneiras e feitios arranjar local para aquele suporte, desisti.

Felizmente o meu pai (uma vez mais…) tinha um suporte usado que dava para fixar à goteira e que me pareceu ficar com um aspeto razoável quando montado no carro, pelo que o projeto pode continuar.

O primeiro passo é retirar o grupo de luzes traseiras direita por onde o cabo irá passar:

A zona onde o suporte vai ficar é esta, com o cabo a passar pela abertura existente na borracha visível perto da goteira:

Após retirar o grupo de luzes, já é possível visualizar a zona onde o cabo vai passar. É desta zona que o cabo vai entrar para dentro do carro.

Com a ficha já montada na ponta, o cabo é passado para o interior:

E depois de passar na zona da borracha, ‘apanha-se’ o cabo na zona das luzes. Nesta zona existem vários buracos por onde passar o cabo para dentro do carro. Para assegurar que se escorrer alguma água pelo cabo esta não vai para dentro do carro, forcei o cabo a fazer um ‘U’ antes de o passar para dentro do carro:

O passo seguinte é desmontar a lateral que faz o remate junto da janela traseira, de modo a deixar a descoberto a zona onde podemos fazer passar o cabo. Infelizmente não fotografei o processo de desmontar esta parte do carro, mas quando voltar a montar tiro fotos e completo este tutorial.

Com esta parte a descoberto, o cabo pode ser passado junto dos já existentes no local, utilizando os mesmos pontos de fixação para assegurar que fica fixo:

Para fazer a passagem do cabo para a zona da frente do carro convenientemente (basicamente utilizando as zonas por onde passam os restantes cabos) é necessário soltar a parte direita do teto do carro. Isto implica retirar os pilares entre as duas portas e na frente junto ao vidro, e as pegas de apoio.
Para soltar o pilar existente entre as portas, afastam-se as borrachas:

E depois com uma chave soltam-se os encaixes metálicos:

O pilar agora já pode sair, basta puxar.

De seguida retiram-se as pegas. Cada uma tem dois parafusos, atrás de uma pequena tampa:

De seguida retira-se o pilar existente junto ao vidro da frente, por onde o cabo vai descer para trás do porta-luvas:

Para soltar o pilar basta puxar a parte de cima…

E depois a parte de baixo:

O pilar está preso por três molas metálicas, que encaixam em buracos existentes na chapa:

Após soltar estas peças todas, já conseguimos passar o cabo para a frente do carro, uma vez mais utilizando as fixações existentes para prender o cabo:

Da zona do pilar, é possível passar o cabo para trás do porta-luvas. Abrindo o porta-luvas todo, existe uma mola de cada lado, que temos de puxar (utilizando as duas mãoes, uma de cada lado) para as fazer passar nos recortes visíveis na imagem.

Após ter conseguido levar o cabo para o local desejado, e montar a ficha PL na ponta, chegou a altura de verificar a instalação, primeiro com um simples multimetro para assegurar que as soldaduras estavam ok, e que não existia contacto entre os dois contactos do cabo de antena (atenção que este teste tem de ser feito antes de colocar a antena no suporte, pois a antena funciona em curto-circuito e com esta encaixada na base vamos sempre ter continuidade) e que o suporte da antena está ligado à chapa do carro (a antena necessita do chamado plano de terra ou plano de massa, que nos carros é assegurado pela própria chapa do carro) – esta parte estava tudo ok, e depois fazendo a medição das estacionárias… e aqui é que a coisa começou a correr mal.

 

Medição de estacionárias e afinação da antena

A medição das ‘estacionárias’ ou SWR (Standing Wave Ratio) é um dos passos mais importantes para assegurar que tudo está a funcionar corretamente. Tentando colocar a questão de uma forma muito simples, esta medição permite-nos perceber quanto da energia elétrica que o rádio consegue colocar na emissão está a ser convertida em sinal emitido. Numa situação perfeita, 100% da energia emitida é convertida, mas numa situação real existe sempre uma parte dessa energia que volta para trás, para o rádio. Isto acontece devido à conjugação de impedâncias dos vários elementos em jogo, desde o cabo, à antena, passando até pelas ligações (não vos vou maçar com uma explicação mais técnica, até porque não quero voltar a ter pesadelos com a cadeira de Propagação e Radiação de Ondas Eletromagnéticas, da qual nunca aprendi grande coisa – as minhas desculpas, professora…não foi culpa sua!). Quanto menor for este valor, mais longe poderá chegar a nossa transmissão. Se o valor for muito alto pode até danificar o rádio (tipicamente, danifica o andar de saída).

Eu utilizei um medidor de estacionárias que o meu tem pai me emprestou, da EuroCB:

E como é que se faz isto? É simples: liga-se o cabo de antena ao conector indicado para a antena (neste aparelho do lado direito), depois o rádio ao conector indicado como RTX ou Emissor (neste aparelho do lado esquerdo).
Uma vez que vamos medir um rádio CB que varia de potência emitida entre 1 e 4 W (dependendo se é FM ou AM respetivamente), coloca-se o swith na posição 10 W, e o segundo switch na posição SET.
1. Coloca-se o rádio no canal 1 e carrega-se no botão para emitir (vulgo PTT). Com o botão pressionado, regula-se, através do botão existente à direita, até a agulha da medição SWR estar alinhada com a posição SET no fim da escala. Depois larga-se o botão de emissão do rádio, muda-se o switch do medidor para SWR e pressiona-se novamente o botão de emitir e anota-se o valor.
2. Volta-se a colocar na posição SET, muda-se o rádio para o canal 40, ajusta-se a agulha até ao SET (a pressionar a PTT, claro), depois coloca-se o medidor em SWR e novamente com a PTT pressionada retira-se o valor.

Se o valor obtido no canal 1 for maior que o valor do canal 40, a antena precisa de ser subida, se for ao contrário a antena tem de ser descida. É assim, mexendo na antena, que se conseguem ajustar as ondas estacionárias, pois ao variar o comprimento da antena o que na realidade estamos a fazer é variar a impedância do conjunto.
Isto se o valor que estão a obter já for razoável…o que no meu caso não se verificou. Neste medidor, o valor andava sempre na casa dos 2,5/3, o que é já no limiar do perigoso para o rádio. Verificando a agulha do segundo mostrador, que indica a potência, também me deu logo indicação que algo estava mal…apesar do rádio ter cerca de 4 W de potência, o valor mostrado rondava os 8 W, o que indica que algo não estava realmente bem, e que uma boa parte da energia estava a voltar para trás.

E aqui começaram as dores de cabeça…e agora? O que é que faço?

Felizmente, o meu amigo Miguel Gomes tem uma paciência gigante, e aplicou a sua experiência neste campo para conseguirmos perceber o que se estava a passar. trocámos a antena, trocámos o rádio e fizemos inúmeras experiências até finalmente conseguimos perceber o que era o problema, ou neste caso específico: os problemas:
Problema 1 – a ficha montada na RMS para receber a antena tinha partido por dentro, o miolo estava livre, rodando quando se forçava a antena…isto implicou que a soldadura partiu, e ao mexer na antena tanto fazia contacto como deixava de fazer.
Problema 2 – a zona onde decidi montar o suporte pura e simplesmente parece não ser ideal. Mesmo com um cabo novo, bem soldado, aquela zona parece não permitir o ajuste em condições da antena. Talvez falta do plano de massa…não sei.

O problema 2 foi resolvido uma vez mais com o apoio do Miguel, que me cedeu um suporte que ele tinha. Curiosamente era um suporte que eu tinha estado a ‘namorar’ na RMS, mas acabei por não comprar:

Este suporte encaixa na porta da mala, como o Midland que comprei, mas permite um maior ajuste de ângulos e com ele já foi possível obter valor de SWR muito bons. Após o ajuste da antena, consegui obter valores entre o 1,3 e o 1,1 (dependendo do canal), o que me deixou muito satisfeito, pois nunca pensei conseguir valores tão bons.
A nível visual, este suporte fica muito bem no carro, e a antena até fica mais protegida que na localização original que tinha escolhido:

O mudar a zona onde iria aplicar o suporte implicava também que o cabo que eu tinha passado precisava de ser substituído! Para não estar a passar o cabo novamente, decidi fazer uma emenda com fichas PL.
O cabo foi preso no interior da porta com uma fita ‘esponjosa’ utilizada, por exemplo, em instalações de ar condicionado que além de acabamento permitiu fixar o cabo corretamente. Assegurei, uma vez mais, que antes de entrar para dentro da porta traseira, o cabo era obrigado a descrever um U para assegurar que não escorreria água para dentro da porta. O cabo entra dentro da porta traseira pela abertura existente junto à dobradiça que segura a porta. Esta dobradiça, do lado da porta, é fixa e como tal não corremos o risco de trilhar o cabo e este tem bastante espaço para entrar sem ser preciso forçar nada.

Para chegar ao cabo dentro da porta tem de se descolar a proteção, ou em alternativa fazer uns cortes na mesma que depois são cobertos com fita isoladora:

Do interior da porta, utiliza-se a borracha já existente por onde passam os restantes cabos, e consegue-se passar o cabo em segurança para dentro do carro:

Uma vez dentro do carro, e porque eu já tinha o cabo original todo passado, coloquei fichas PL em cada um, e uni, mas se vai fazer a instalação pode seguir os passos acima descritos para fazer o cabo chegar à zona do tablier.

 

2 Comments

  1. avatar
    Carlos Solans says:

    Boa noite amigo. Onde posso adquirir um suporte igual ao que tens para a antena de CB ? Qual o preço?

    1. avatar
      Pedro Machado says:

      Olá, Carlos.

      O suporte que tenho, como indiquei em cima é de uma loja que se chama RMS, e que tem lá várias opções, ainda que neste momento não parece ter o modelo exatamente igual ao que tenho. (http://rms.pt/categoria/montagem-antenas/suportes-viaturas/1)

      Tens para vários gostos e vários valores.
      Abraço.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*