Caixas, vedantes e uma reparação que demorou nove meses

Publicado por em 18 de Janeiro de 2018

O título deste artigo poderia ser uma punch line, utilizada num qualquer espetáculo de comédia, mas infelizmente foi bem real. O Chacal deu entrada na Autosueco em outubro de 2016 e andou dentro e fora, até que finalmente em julho de 2017 o trabalho foi finalmente dado como concluído.

Não foi um parto, nem envolveu tanta dor física como um, mas estes nove meses foram sem dúvida muito stressantes.

O problema de vedação nas caixas dos Land Rover é bem conhecido, e eu próprio já escrevi sobre isso diversas vezes (ver aqui, ou aqui, ou ainda aqui).

A última intervenção que o Chacal sofreu foi já no longínquo ano de 2012, na altura com perto de 120 mil quilómetros. Agora, quatro anos volvidos e perto de 56 mil km feitos, voltei a ter pingas de óleo vindos algures das caixas (não consegui perceber exatamente de onde viriam) e decidi colocar o carro na oficina para o problema ser resolvido.

A decisão, conjunta minha e da Autosueco onde faço assistência, foi de desmontar as duas caixas, aproveitar para as abrir e verificar o estado, e trocar todos os vedantes. Parecia simples não parecia? Mas longe estava eu de saber a saga onde estava prestes a embarcar…

Nesta primeira intervenção o disco esteve na oficina mais de um mês. As caixas foram desmontas e remontadas umas três vezes, mas infelizmente sempre com o mesmo resultado: os pingos continuavam a aparecer. Mas o trabalho lá foi dado como terminado e o carro entregue.

Pouco tempo depois tive um pequeno passeio, dentro de Portugal, que me levou a fazer alguns quilómetros de autoestrada, onde iria finalmente testar o que acontecia com algumas horas de velocidade constante, com as caixas a aquecerem. Mas nem foi preciso andar muitos quilómetros, e logo numa primeira paragem verifiquei que a barra transversal que existe por baixa da caixa, estava novamente com óleo. “Não pode ser!! Tanto tempo e dinheiro gasto e isto está na mesma?!?”

Voltei à Autosueco, já chateado (obviamente!) e exigi a reparação. E lá ficou o Chacal para mais um voltinha no carroussel da desmontagem e montagem das caixas.
Não me lembro quanto tempo ficou lá desta vez, mas lembro-me claramente do ar triunfante do responsável quando me ligou a notificar que “agora é que ficou tudo bem! foi testado e não tem fuga nenhuma.”.

Um pouco a medo, mas lá fui levantar o meu menino. Infelizmente era noite, e não consegui colocar-me debaixo do carro para dar uma vista de olhos, e acabei por demorar mais uns dias a voltar a pegar no carro, desta feita para ir fazer um passeio TT na zona da Comporta.

Cheguei à zona da areia da comporta, levo a mão à manete das transferências/bloqueio e…“que raio, o que é que se passa aqui?”. A manete estava estranha, deformada…ou então, não era a minha! Irritado, tento puxar a manete para a esquerda por forma a engrenar o bloqueio do diferencial central…nada… a manete mexe-se um pouco, mas não o suficiente para engrenar o bloqueio. “Isto está bonito, está!”, pensei eu no meio de vários impropérios que me saíram dirigidos aos meus queridos amigos da Autosueco. Sou obrigado a seguir viagem sem o bloqueio metido.

Na primeira oportunidade, e porque o problema não me saia da cabeça, meto-me debaixo do carro para tentar perceber o porquê do bloqueio não entrar, mas a única coisa que os meus olhos focaram foi o óleo na barra transversal!

E lá voltou o desgraçado do Chacal para a Autosueco, mas desta feita fui lá pessoalmente reclamar de forma mais ou menos cordial (na realidade…muito mais a atirar para o menos que para o mais), com especial destaque para a manete que tinha sido trocada ou estragada, sem qualquer explicação.

A reparação acabou por ser concluída, e em meados de julho de 2017 fui levantar o carro à Autosueco, já com a manete certinha (levou uma nova) e supostamente com o problema das fugas de óleo resolvido.
O que acabou por ser feito foi utilizar um vedante que não o de origem, na ligação entre as duas caixas, uma vez que o material em si já tinha demasiada folga para o vedante original trabalhar de forma eficiente.

Apesar de todo este episódio bastante caricato, o mais caricato acabou por ser o facto do problema ter de ser resolvido com um vedante não original. Uma vez mais se confirmou que este material (as caixas) estão realmente mal feitas e a qualidade deixa muito a desejar. Bem sei que o tratamento que dou ao meu Discovery TD5 é bem pior que a maioria dos donos do mesmo modelo fazem. Muitas viagens a Àfrica, muitos km em areia, sempre a puxar, mas mesmo assim, quatro anos e/ou 56 mil km parece-me claramente pouco para este problema se voltar a manifestar.

A questão que fica no ar agora é, o vedante que lá foi colocado é normalmente utilizado em que carro? Nissan? Toyota? Um trator qualquer? Nem quis saber…

4 Responses to Caixas, vedantes e uma reparação que demorou nove meses

  1. Isaac Escapa

    Boas Pedro!
    Eu quase diria que a dita fuga de oleo é pelo oring da cavilha da caixa de transferência e se a dita caixa não for encasquilhada no sitio do oring esquece lá isso , o problema é que o aluminio da caixa fica “batido” e o oring deixa de vedar!!!

    Eu fiz essa operação num Disco 300 e foi remédio santo e voltei a fazer no Disco Td5 que tenho hoje e já vão 2 anos e está impec.

    • Pedro Machado

      Olá, Isaac.

      Eu não fiz a operação, mas suspeito que é isso que dizes. E já tinha ouvido falar nesse “encasquilhar”, porque como dizes, o problema é no alumínio da própria caixa.

      Onde fizeste essa operação?

      Abraço.

  2. Sérgio Martins

    Boa noite. O meu está com o mesmo problema embora às vezes as linhas mal se notem, outras vezes ficam bem marcadas! Estive a fazer a revisão e uma manutenção na Landbastos e o Pedro Bastos falou me nessa reparação, retira se a caixa, vai a um torneiro para retificar, volta para ser encasquilhada e montada. Estavam lá mais pessoas que fizeram essa operação e ficou 5 estrelas!

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